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Amyr Klink comemora 35 anos da travessia do Atlântico em um barco a remo: 'Se fosse hoje, eu estaria no Instagram'

Navegador saiu sozinho em um pequeno barco da costa da Namíbia, na África, e desembarcou na Bahia cem dias depois em um percurso de quase 7 mil km.



Por Guilherme Pimentel, G1 SP — São Paulo
2019-09-18 14:57:40

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Há exatos 35 anos, em 18 de setembro de 1984, um Amyr Klink de 28 anos de idade pôs os pés em terra firme pela primeira vez em cem dias. Mais precisamente, na areia da Praia da Espera, em Camaçari, no litoral da Bahia. Pelos mais de três meses que antecederam este momento, Amyr passou seu tempo remando oito horas por dia, limpando o barco, preparando refeições, dormindo e colecionando encontros com tubarões, baleias, gaivotas e peixes (veja o vídeo acima).

Amyr Klink levou cem dias e nove horas para cruzar o Atlântico remando sozinho em um barco de 5,94 metros de comprimento e, no máximo, 1,52 metro de largura. Nos braços estava a única força de propulsão para cruzar as 3.700 milhas náuticas, o equivalente a quase 7 mil quilômetros, entre Lüderitz, na costa da Namíbia, e o litoral da Bahia. Em 1984 não havia GPS e as estimativas de localização eram feitas por um instrumento chamado sextante. A comunicação também era escassa. Amyr, amigos e parentes esperavam dia e hora marcada para as transmissões via rádio.

Amyr gosta de falar que os cem dias da travessia foram a cereja do bolo, onde ele mais se divertiu e se sentiu realizado. A viagem, na verdade, começou dois anos antes. Ele participou de cada aspecto do projeto - do desenho do barco às 150 embalagens com café da manhã, almoço e jantar, com alimentos desidratados e sem sal, preparados para que ele pudesse manter uma dieta equilibrada e usando a água do mar para cozinhar e temperar.

Isso sem falar nos problemas para o transporte da embarcação, no medo de capotar e não conseguir desvirar o barco, na descoberta desagradável de que dois remadores já tinham tentado repetir o mesmo feito... e morrido. Daí a resistência para conseguir autorização para deixar a África remando - autoridades temiam ter que dispensar recursos para uma eventual operação de resgate. Problemas que foram ficando para trás, um a um, revelando os acertos do planejamento.

No aniversário de 35 anos da travessia do Atlântico Sul, o G1 conversou com o Amyr Klink de 2019. Muito diferente daquele de 1984. Hoje, além desta travessia para chamar de sua (e nunca repetida por nenhum outro remador), ele coleciona mais de quarenta viagens à Antártica em veleiros. Em uma delas, ficou um ano ancorado. Passou os meses de inverno com o barco preso pelo mar congelado e sem a luz do sol. Depois, decidiu rumar direto para o Ártico.

Sete anos depois, deu uma volta ao mundo até então inédita. Com um veleiro e sozinho, de novo, pela faixa de oceano mais tempestuosa do planeta. Relatos destas e de outras viagens estão espalhadas por seis livros. As viagens continuam com a esposa Marina e três filhas. Hoje, Amyr administra suas empresas e faz palestras por todo o país para falar, justamente, de planejamento.

Foto 1: Amyr Klink mostra um sextante. Instrumento era usado para se orientar pela posição dos astros — Foto: Fabio Tito/G1



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